Olga Benário e Luís Carlos Prestes: Ideologia e Romance

Mulher linda, alta, de cabelos escuros e olhos azuis, Olga nasceu em Munique, cidade alemã. Desde cedo participou de atividades comunistas e, graduada pelo KOMINTERN – a Terceira Internacional – recebeu a mais importante tarefa de sua vida: participar da realização de uma Revolução Comunista no Brasil.

No Brasil, já casada com Luís Carlos Prestes, líder do movimento que entrará para a história brasileira como “Intentona Comunista”, Olga foi fundamental para o andamento da revolução. Morando no Rio de Janeiro, através das inúmeras reuniões, conviveu com todos os integrantes da liderança do movimento no meio do qual nasceram grandes amizades.

Com o fracasso da revolução e a sua conseqüente prisão, Olga, grávida de sete meses, é entregue a Hitler por Vargas. Sendo deportada para a Alemanha e longe do Brasil, país que aprendeu a amar e respeitar, Olga Benario tem sua primeira e única filha, Anita Leocádia, uma alegria no meio de tanto sofrimento.

Em um campo de concentração da Alemanha nazista, Olga vivencia os últimos dias de sua vida. Morta por um gás letal, ela ainda vive, mas como uma importantíssima pessoa que deixou o seu valor na história do comunismo mundial e que fez do seu ideal de vida um sonho para vários povos de todo o mundo.

A Questão Agrária na Nova República

 O problema agrário brasileiro começou em 1850, quando acabou o tráfico de escravos e o Império, sob pressão dos fazendeiros, resolveu mudar o regime de propriedade. Até então, ocupava-se a terra e pedia-se ao imperador um título de posse. Dali em diante, com a ameaça de os escravos virarem proprietários rurais, deixando de se constituir num quintal de mão-de-obra quase gratuita, o regime passou a ser o da compra, e não mais de posse.”Enquanto o trabalho era escravo, a terra era livre. Quando o trabalho ficou livre, a terra virou escrava”, diz o professor José de Souza Martins, da Universidade de São Paulo. Na época, os Estados Unidos também discutiam a propriedade da terra. Só que fizeram exatamente o inverso. Em vez de impedir o acesso à terra, abriram o oeste do país para quem quisesse ocupá-lo – só ficavam excluídos os senhores de escravos do sul. Assim, criou-se uma potência agrícola, um mercado consumidor e uma cultura mais democrática, pois fundada numa sociedade de milhões de proprietários.

Com pequenas variações, em países da Europa, Ásia e América do Norte impera a propriedade familiar, aquela em que pais e filhos pegam na enxada de sol a sol e raramente usam assalariados. Sua produção é suficiente para o sustento da família e o que sobra, em geral, é vendido para uma grande empresa agrícola comprometida com a compra dos seus produtos. No Brasil, o que há de mais parecido com isso são os produtores de uva do Rio Grande do Sul, que vendem sua produção para as vinícolas do norte do Estado. Em Santa Catarina, os aviários são de pequenos proprietários. Têm o suficiente para sustentar a família e vendem sua produção para grandes empresas, como Perdigão e Sadia. As pequenas propriedades são tão produtivas que, no Brasil todo, boa parte dos alimentos vêm dessa gente que possui até 10 hectares de terra. Dos donos de mais de 1.000 hectares, sai uma parte relativamente pequena do que se come. Ou seja: eles produzem menos, embora tenham 100 vezes mais terra.

Ainda que os pequenos proprietários não conseguissem produzir para o mercado, mas apenas o suficiente para seu sustento, já seria uma saída pelo menos para a miséria urbana. “Até ser um Jeca Tatu é melhor do que viver na favela”, diz o professor Martins. Além disso, os assentamentos podem ser uma solução para a tremenda migração que existe no país. Qualquer fluxo migratório tem, por trás, um problema agrário. Há os mais evidentes, como os gaúchos que foram para Rondônia na década de 70 ou os nordestinos que buscam emprego em São Paulo. Há os mais invisíveis, como no interior paulista, na região de Ribeirão Preto, a chamada Califórnia brasileira, onde 50.000 bóias-frias trabalham no corte de cana das usinas de álcool e açúçar durante nove meses. Nos outros três meses, voltam para a sua região de origem – a maioria vem do paupérrimo Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais.

A política de assentamento não é uma alternativa barata. O governo gasta até 30.000 reais com cada família que ganha um pedaço de terra. A criação de um emprego no comércio custa 40.000 reais. Na indústria, 80.000. Só que esses gastos são da iniciativa privada, enquanto, no campo, teriam de vir do governo. É investimento estatal puro, mesmo que o retorno, no caso, seja alto. De cada 30.000 reais investidos, estima-se que 23.000 voltem a seus cofres após alguns anos, na forma de impostos e mesmo de pagamentos de empréstimos adiantados. Para promover a reforma agrária em larga escala, é preciso dinheiro que não acaba mais. Seria errado, contudo, em nome da impossibilidade de fazer o máximo, recusar-se a fazer até o mínimo. O preço dessa recusa está aí, à vista de todos: a urbanização selvagem, a criminalidade em alta, a degradação das grandes cidades.

MPB e o DOPS

O regime militar no Brasil, que se manteve no poder no país de 1964 a 1985, buscava vigiar e controlar o espaço público e todo o enunciado político contra a ditadura, buscava-se desmobilizar a sociedade para manter o regime. Nos veículos de comunicação em massa havia mensagens políticas de resistência, assim aconteceu com a música brasileira, principalmente para driblar a censura que ocorria sobre as composições musicais.

 

Nos documentos da DOPS, uma das instituições que mais perseguiam os artistas, havia uma produção constante de suspeitas que seguiam critérios improvisados de perseguição; bastasse o artista participar de eventos estudantis, festivais, regravar artistas perseguidos, citar nomes políticos, entre outros fatores, para que o artista fosse perseguido.

Qualquer composição musical ou declaração que chocasse a “normalidade” política da ditadura era registrado como suspeito. Classificava-se grupo de atuação comunista aqueles que eram formados por Francisco Buarque de Holanda, Edu Lobo, Nara Leão, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Marilda Medalha, Vinícius de Moraes, Milton Nascimento, entre outros.

Na década de 70, Chico Buarque passou a ser considerado inimigo número 1 do regime, seguido por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton, Gonzaguinha e Ivan Lins. Elis Regina passou a fazer parte da lista ao gravar o hino da anistia, a música “O bêbado e a equilibrista”.

Além de espaços sociais serem suspeitos, a atividade artística era considerada suspeita e subversiva. Os departamentos de investigação visaram defender a ordem política da época e manter os grupos familiares e seus devidos laços morais. Mas como cantava Caetano Veloso : “é proibido proibir”.

Redemocratização – Diretas Já

O período da redemocratização no Brasil tem seu inicio na abertura política, passando pelo governo de Figueiredo e culminando nas “Diretas Já”. A grosso modo é o período abrange desde o governo Ernesto Geisel até a eleição indireta de Tancredo Neves, que morre pouco antes de chegar ao poder, que resulta na posse do vice, José Sarney. Instaurando o período que será denominado de Nova República.

 Governo Geisel -Em 1975 é criado o MFA (Movimento Feminino pela Anistia) para que os presos políticos
fossem soltos, os exilados pudessem retornar ao Brasil e os cassados recebessem justiça.
Em 1975 a oposição passou a atuar de outra forma, contavam com a sociedade civil, ou seja, sindicatos, associações de moradores, grupos feministas, igrejas e comitês de defesa dos direitos humanos.Os estudantes universitários também se mobilizam e tentam restaurar a UNE (PUC-SP), embora tenham fracassado nessa tentativa, só em 1979 em Salvador ela é oficialmente restabelecida.Em 1978 é criado o CBA (Comitê Brasileiro pela Anistia) Elis Regina emociona o país ao cantar o hino do anistia “O Bêbado e o Equilibrista”.
Embora a oposição estivesse mais articulada, a extrema direita participou de inúmeros atos de violência, como: O sequestro e espancamento do Bispo D. Adriano Hipólito, explodiram bombas na ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e na Editora Civilização Brasileira. Em 1976 o DOI-CODI invadiu uma casa na Lapa e massacrou todos os ocupantes, todos da direção do PC do B.
Em 1978 acontece a primeira greve dos operários, liderada por Lula, então presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernado do Campo. Após isso, a repressão da ditadura se intensificou, chegando ao ponto de em 1980 montar uma operação de guerra, mobilizando homens, armar e recursos. A Policia Federal, junto do DPS e do DOI-CODI conseguem prender o Lula e mais 15 dirigentes sindicais, esperando que a greve acabasse. Entretanto, estavam errados, esse era um novo sindicalismo e ele era organizado pela base, sem lideres supremos para decidir tudo. Com a continuação da greve, o exército da o ultimato. As ruas de São Bernado do Campo são ocupadas e o clima de uma iminente guerra civil é instaurado no país. Com uma multidão de 120 mil pessoas, os grevistas derrotam a ditadura, já que o governo se retira, com medo de deflagrar uma guerra.

 Governos Figueiredo (1979-1985)- A inflação no governo de Figueiredo sofre um aumento drástico, afetando o salário. Segundo o IBGE, em 1980 aos 5% mais ricos do país cabiam 37,9% do total de renda e aos 50% mais pobres apenas 12,6%. A divida externa alcança quase 100 bilhões de dólares e o país começa a negociar com o FMI(Fundo Monetário Internacional), para ajudar no pagamento da divida externa. E as exigências do FMI eram: o Brasil deveria reduzir os salários, cortar os gastos públicos (menos dinheiro para as escolas e universidades, para os hospitais, para investir na economia), aceitar que a economia parasse de crescer. Tudo isso em nome da estabilização econômica. Para a oposição, recorrer ao FMI era botar a economia do Brasil nas mãos do capitalismo internacional.
Os atentados da extrema direita continuavam, durante o show de MPB em comemoração a dia 1º de Maio, varias bombas foram instaladas no Rio-Centro, sendo que somente uma delas explodiu, em um carro em que estavam um sargento e um coronel do Exército.
Embora o governo falasse sobre abertura política, ele criava artifícios para manter o controle da situação. A ditadura contava com o apoio ativo de muitos civis, incluindo empresários, administradores e políticos do ARENA. Figueiredo, em 1979, baixa A Nova Lei Orgânica dos Partidos, para dividir a oposição. Acabando com a divisão entre ARENA e MDB, gerando cinco novos partidos:
PDS (Partido Democrata Social) – Novo ARENA, representa os políticos que apoiavam a ditadura e o seu líder é José Sarney.
PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) – Antigo MDB continua como a grande oposição e incluía diversas correntes políticas. Seu líder era o deputado Ulisses Guimarães.
PDT (Partido Democrático Trabalhista) – Encabeçado pelo Leonel Brizola, propunha ser herdeiro do trabalhismo de Vargas e Jango, misturado à social-democracia.
PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) – Não tem nenhum tipo de laço com o antigo PTB, visto como uma espécie de filial camuflada do PDS é chefiada pela deputada Ivete Vargas.
PT (Partido Trabalhista)- Aparecia como o grande partido de esquerda do Brasil, liderado pelo Lula, contava com antigos dirigentes sindicais e outras categorias operárias, recebe apoio também dos universitários e intelectuais.
PP (Partido Popular)-Na sua liderança estavam o os banqueiros e políticos como Tancredo Neves, acaba se fundindo com o PMDB.

 “Diretas Já”- Em 1984, no final do governo Figueiredo, aconteceu as “diretas já”. Praticamente todo o pais tomou parte, lutando pelo direito de votar para presidente. As maiores manifestações de massa da história do Brasil aconteceu nessa época, nos últimos comícios no Rio de Janeiro e em São Paulo.
No dia em que a Câmara dos Deputados votou na Emenda Dante de Oliveira, restabelecendo as diretas, o general Newton Cruz , de Brasília, queria prender todo mundo vestido de amarelo, cor símbolo da campanha. Apesar dos votos a favor da emenda serem de 298 contra 65 contra, faltaram 22 votos para a vitória. Vários deputados tinham votado contra ou simplesmente não compareceram. Entretanto, a cúpula do PMDB já estava armando um acordo com políticos descontentes com o PDS, só o PT, ainda era pequeno, protestou contra a armação. Então o presidente seria eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral, que era constituído pelo Congresso e por deputados estaduais(seis por cada Assembléia Estadual). Embora o PDS tivesse o Paulo Maluf como candidato oficial, ele não tinha uma boa imagem e poderia atrair o ódio popular. Liderados pelo Sarney, os políticos do PDS formaram a Frente Liberal que, no Colégio Eleitoral, elegeu Tancredo Neves presidente do Brasil, tendo o Sarney como vice. Pouco depois, esses políticos do PDS formariam a PFL(Partido da Frente Liberal). Na véspera de tomar posse, Tancredo Neves falece e não chega de fato ao poder. José Sarney então se torna o presidente que põem fim ao regime militar.

Tortura e Direitos Humanos na America Latina

Na América Latina, a tortura foi bastante praticada contra índios e negros

durante o período colonial. No Brasil, tem-se que a tortura foi utilizada de forma
indiscriminada contra os escravos, estando, deste modo, vinculada à questão da
discriminação racial.

A partir de 1960, uma onda de regimes militares “direitistas” começou a
dominar boa parte da América Latina. Na Argentina, os militares assumiram o
poder com a tortura e mortes. No Brasil, as Forças Armadas tomaram o poder em 1964 e encontraram nas tentativas de guerrilhas e revolta uma desculpa para a repressão feita pelo regime militar. Também no Chile houve, em 1973, um golpe militar cujo governo durou quase 20 anos.

A exemplo destes países, os regimes militares da América Latina
apresentaram, em maior ou menor grau, traços característicos dos regimes
militares do séc. XX – execuções ou massacres, oficiais e para-oficiais, tortura
sistemática de prisioneiros e o exílio em massa de adversários políticos – e
configuram uma das mais graves situações de tortura. A tortura era então
praticada nas salas de interrogatórios, nas dependências da polícia secreta, nas
próprias delegacias de polícia, nas prisões e em outros estabelecimentos
reconhecidos de forma oficial. Houve, ainda, inúmeros casos de pessoas que
“desapareciam” sem vestígios oficiais quando, na realidade, estas pessoas
estavam sendo detidas e torturadas secretamente sem que sua detenção fosse
ao menos reconhecida.

Mães eram separadas de seus filhos ao nascer sem ao menos poderem tocá-los, como aconteceu na Argentina, e os filhos eram mandados para a adoção.

Alguns países como a Argentina, Chile e Uruguai, depois do regime militar, já abriram os arquivos secretos ao publico, acharam corpos de desaparecidos e puniram os culpados. O Brasil, ainda é alvo de criticas devido à falta de impunidade, mas isso porque há uma serie de burocracia que demoram longo tempo.

Com o enfraquecimento e fim dos regimes repressivos, a prática da tortura
como método de repressão política conseqüentemente diminuiu. Contudo,
ficaram evidentes os casos de tortura praticados contra suspeitos de crimes
comuns (aqui entendidos como crimes não políticos) e integrantes de minorias
étnicas. No Brasil, bem como em outros países, o emprego abusivo de agressão
e violência física se dá em todo o território nacional por agentes públicos das
forças de segurança como forma de se obter confissões forçadas, sendo
considerada por analistas como um dos principais mecanismos de investigação
policial no país. Também é largamente utilizada como meio de punição e
imposição de disciplina em presídios e em centros de cumprimento de medidas
sócio-educativas para adolescentes assim como em instituições psiquiátricas,
orfanatos e centros para detenção de imigrantes.
Abaixo, um pouco mais sobre a Ditadura Militar, e as punições.

A Revolução Cubana e a Produção Cultural

A Revolução Cubana foi a primeira revolução socialista vitoriosa na América. Alterou os rumos da Guerra Fria no que se refere à América Latina. O surgimento das ditaduras militares em quase todo o bloco latino-americano deveu-se à “ameaça de comunização”, cujo centro de irradiação seria Cuba.

Fidel Castro tomou o poder em Cuba em 1959 depois de ter liderado, nas montanhas de Sierra Maestra, uma guerrilha que, em seus momentos mais críticos, teve apenas 20 homens. Ele teve como aliados guerrilheiros que se tornariam mitos da esquerda do século 20, como Camilo Cienfuegos e Ernesto Che Guevara, além de seu irmão Raúl Castro.


Ex-ditador Fulgencio Batista

Com menor poder de fogo que o Exército do ditador Fulgencio Batista, Fidel apostou no conceito de “guerra irregular”, usando o que ele chama de “os ardis do segredo e da surpresa” contra o inimigo. Segundo Fidel, o romance Por Quem os Sinos Dobram, de Ernest Hemingway, sobre a Guerra Civil Espanhola, o teria inspirado a criar e aplicar suas táticas guerrilheiras.

Desenvolvemos uma guerra de movimento, como já disse, de atacar e retirar-se. Surpreendê-los. Atacar e atacar. Desenvolvemos a arte de confundir as forças adversárias, para obrigá-las a fazer o que queríamos. E muita arma psicológica“, disse Fidel sobre a guerrilha.



O começo

Os primórdios da campanha de Sierra Maestra localizaram-se em 1953. Em 26 de julho daquele ano, Fidel, que já tinha militância política, liderou um grupo de jovens revolucionários em uma tentativa de levante contra o general Batista, que havia subido ao poder um ano antes com um golpe de Estado e contava com a simpatia dos Estados Unidos.


Fidel Castro em Sierra Maestra

Mas o ataque revolucionário aos quartéis de Moncada, na cidade de Santiago de Cuba, fracassou. Preso, Fidel foi julgado e condenado a 15 anos de prisão. Em 1955, foi anistiado por Batista e, clandestinamente, montou o Movimento 26 de Julho. Em 7 de julho, ele partiu em exílio para o México, onde conheceu o argentino Che Guevara e organizou o embrião da guerrilha.

Em 2 de dezembro de 1956, depois de uma viagem de sete dias, ele e 82 homens voltaram a Cuba no barco “Granma”, dispostos a tomar o poder. “Granma” acabou virando o nome do principal jornal oficial do novo regime.

Eles desembarcaram na costa leste do país, próximo à cidade de Manzanillo. Três dias depois, foram surpreendidos por um ataque aéreo e de infantaria em Alegría de Pío e sofreram diversas baixas. Após a derrota, dispersos, Fidel, Raúl, Che e alguns outros fugiram para Sierra Maestra, maior cadeia de montanhas da ilha e lugar de difícil acesso. Lá, com apenas dois fuzis, instalaram-se e começaram a reorganizar a guerrilha com a ajuda de camponeses e de revolucionários que já atuavam na ilha. 

Produção Cultural

Foi a liberdade artística e de expressão que após 1959 passou a ser conduzida pelos ideais revolucionários, levando aqueles que não se enquadraram a fugir, ser presos, executados ou a pedir asilos.

Guerra civil Espanhola e Arte

A Guerra Civil Espanhola, iniciada no dia 18 de julho de 1936, foi marcada, durante três anos, pelo conflito entre as forças nacionalistas de direita – que pretendiam um golpe de Estado – com os partidários da esquerda republicana, no poder na época.

Esse sangrento conflito entre as “duas Espanhas”, que deixou mais de 500.000 mortos e ficou famoso em todo o mundo pelas múltiplas atrocidades ocorridas, terminou em abril de 1939, com a vitória dos direitistas comandados pelo general Francisco Franco, que impôs ao país a repressão através de uma ditadura que prosseguiu até 1975, ano de sua morte.

A Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini apoiaram os direitistas, enquanto que a União Soviética apoiou os republicanos durante o confronto, classificado atualmente por muitos como um prelúdio da Segunda Guerra Mundial.

Auxiliado pelas forças aérea alemã e italiana, o exército rebelde na África, comandado por Franco, e as forças nacionalitass do norte, dirigidas pelo general Emilio Mola, conquistaram inúmeras vitórias no caminho para Madri.

Entretanto, as forças rebeldes foram detidas por milícias ao norte da capital. A entrada na guerra em outubro, junto aos republicanos, da URSS e depois das célebres Brigadas Internacionais permitiu equilibrar temporariamente as forças.

Os dois grupos iniciaram uma guerra de posições, marcada por duras batalhas – Jarama, Belchite e Teruel – e massacres indiscriminados da população civil, especialmente em Guernica, no País Basco, arrasada pela aviação nazista em abril de 1937, com 1.600 mortos.

Arte na guerra civil espanhola

Guernica é um óleo sobre tela de 349 x 777 cm e foi encarregado pelo governo da República Espanhola para o Pavilhão de Euskadi na Exposição Internacional celebrada em Paris em 1937.

A idéia de propaganda dos republicanos era manifestar a oposição deles ao levante nacional e a guerra provocada pelos rebeldes. Mas Picasso só começou a pintar o quadro após o bombardeio, por sugestão de Juan Larrea, poeta espanhol surrealista residente em Paris.

Para realizar esta obra, Picasso recorreu das fotografias publicadas nos jornais da época que mostravam a cidade em chamas. Através delas, fez uma composição utilizando somente o branco, o preto e o cinza. 

A composição está distribuída como um tríptico. O painel central é ocupado por um cavalo agonizante. O quadro reproduz em total seis seres humanos e três animais. A base do triângulo central está assinalada pelo corpo caído do guerreiro morto, um corpo desmembrado, esquartejado e que se transforma em símbolo visual da matança.

Picasso nunca deixou de colocar na parte debaixo das suas obras a assinatura e a data em que as terminou, mas em Guernica este detalhe não aparece. Talvez o autor quisesse com sua omissão expor uma dimensão atemporal à obra. 

Com esta obra, Picasso mostra um compromisso político e ideológico que reflete não somente a crueldade de um massacre concreto, mas deixa uma súplica contra a injustiça da guerra e a barbárie do fascismo e o nacional-social que invadiria a Europa mais adiante. 

Desde 1981 o quadro está instalado no Museu Reina Sofía de Madrid, pois a vontade do autor era de que ele não pisasse solo espanhol até a morte de Franco em 1975.